A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (6) uma nova fase da Operação Contenção contra o Comando Vermelho (CV). O alvo desta etapa é uma rede de receptação de materiais furtados — principalmente cabos de cobre — operada por ferros-velhos na região central do Rio e usada para financiar a compra de armamento da facção. A operação cumpre 80 mandados de busca e apreensão em cinco municípios e um agente foi baleado durante as diligências.
Segundo a Polícia Civil, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) saíram para cumprir os mandados em endereços ligados a 50 investigados. Além da capital, a ação atinge Niterói, Duque de Caxias, Magé e Italva, no Norte Fluminense.
A estrutura do esquema
De acordo com as investigações, o grupo tinha base nas comunidades do Fallet-Fogueteiro, Prazeres e Morro da Coroa, na Zona Norte do Rio. A operação identificou uma organização com chefia definida, gerência, segurança armada, operadores logísticos, núcleo financeiro e rede de receptação — estrutura característica de facções com domínio territorial consolidado.
A Polícia Civil aponta Paulo Cesar Batista de Castro, conhecido como Paulinho Fogueteiro, como chefe da organização. Wesley Paes de Souza é apontado como responsável pelo núcleo financeiro do esquema.
A investigação teve início após denúncia sobre um ferro-velho com ligação ao tráfico. Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram que o depósito fazia parte de uma rede maior, integrada ao CV e voltada à lavagem de dinheiro.
Agente baleado e foragidos
Equipes que cumpriam mandados no complexo de favelas foram recebidas a tiros. Um agente foi atingido na mão durante a ação. Seu estado de saúde não foi divulgado até a publicação desta reportagem.
Dos 50 investigados, 13 já tinham mandados de prisão em aberto e são considerados foragidos. Segundo a polícia, parte dos suspeitos usava redes sociais para exibir armas, drogas e dinheiro.




