O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação é do Intercept Brasil, que publicou a reportagem nesta quarta-feira (13) afirmando ter tido acesso a áudios, mensagens e comprovantes bancários relacionados à negociação.
O filme e os pagamentos
O projeto em questão é o longa "Dark Horse", dirigido pelo cineasta iraniano-americano Cyrus Nowrasteh e estrelado pelo ator Jim Caviezel, conhecido pelo papel de Jesus Cristo em "A Paixão de Cristo". Segundo o Intercept, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações bancárias para financiar a produção.
O áudio e a cobrança
Em mensagem de áudio enviada a Vorcaro, Flávio Bolsonaro relata dificuldades para arcar com os custos da produção e cobra o banqueiro por novos repasses. No trecho, o senador afirma que o projeto corre o risco de "não honrar compromissos" com a equipe americana e que, sem os pagamentos, perderia "ator, diretor, equipe e tudo".
Quem é Vorcaro e o que aconteceu com o Master
Daniel Vorcaro é o ex-controlador do Banco Master, instituição financeira liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, dois dias após a data do áudio enviado por Flávio. No dia anterior à liquidação, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar para Dubai. O caso Master envolveu a venda de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) a investidores de pequeno porte e gerou investigações sobre a solidez financeira da instituição.
As mensagens reveladas pelo Intercept mostram que Flávio Bolsonaro e Vorcaro mantinham contato próximo, com o senador tratando o banqueiro como "irmão" e afirmando que "não há meia conversa entre eles".
A resposta de Flávio Bolsonaro
Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que a negociação foi uma iniciativa privada, sem uso de dinheiro público ou recursos da Lei Rouanet. Segundo o senador, ele conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando "não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro", e que o contato foi retomado apenas para tratar dos atrasos nos pagamentos do patrocínio.
"Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", declarou o senador na nota.
Flávio também pediu a instalação de uma CPI do Master e fez críticas ao governo federal, afirmando que as relações do governo Lula com Vorcaro seriam "espúrias".
O Intercept Brasil e o Banco Master não foram contactados pela TRAMA até o fechamento desta edição. A reportagem aguarda retorno.




