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Aumento de tartarugas-cabeçudas em Magé mobiliza biólogos e pescadores

Pesquisadores tentam entender o que atrai a espécie oceânica para dentro da baía.

Redação
·25 de abril de 2026·2 min de leitura
Aumento de tartarugas-cabeçudas em Magé mobiliza biólogos e pescadores
Foto: Reprodução/Projeto TAMAR

O Píer da Piedade, em Magé, ganhou visitantes ilustres que estão mudando a rotina de quem vive do mar. O aparecimento frequente de tartarugas-cabeçudas na Baía de Guanabara, um comportamento considerado atípico por especialistas, motivou o Projeto Aruanã a estender seu monitoramento para a região. Pela primeira vez em 15 anos de história da iniciativa, o foco sai do litoral aberto de Niterói para explorar as águas interiores da baía.

A parceria com os pescadores tem sido o motor dessa descoberta. Uallace Santos, pescador local, começou a documentar as aparições em julho de 2025 para provar o que via. "Pescador tem fama de mentiroso. Se não registrar, ninguém acredita", conta. O método de resgate é seguro: as tartarugas acabam retidas em "currais de peixe", estruturas que funcionam como refúgios onde elas se alimentam e aguardam a soltura, sem o risco de emalhe em redes.

O fator "Jorge"

Um dos ganchos para o aumento das observações foi a passagem da tartaruga Jorge. Após décadas em cativeiro na Argentina, Jorge foi solto e monitorado por satélite, indicando que passou cerca de uma semana na Baía de Guanabara antes de o sinal do transmissor cessar. Embora o paradeiro de Jorge seja incerto, biólogos brincam que ele pode ter "apresentado" a região a outros exemplares da espécie.

Rota de migração de Jorge, tartaruga resgatada após 40 anos em cativeiro - Foto: Divulgação

Ciência e Conservação

Para Larissa Araújo, bióloga e coordenadora de campo do Projeto Aruanã, a presença desses animais levanta questões científicas importantes. "A Baía de Guanabara é riquíssima em alimento, como o camarão. Queremos entender se é a oferta de comida ou outra mudança ambiental que está trazendo esses animais de perfil oceânico para cá", explica.

No último fim de semana, os pesquisadores realizaram a marcação dos dois primeiros exemplares em Magé — animais adultos com cerca de 80 centímetros de casco. O trabalho une a precisão da coleta de dados genéticos ao entusiasmo da comunidade: crianças e moradores locais agora acompanham de perto as solturas, transformando o trabalho técnico em uma lição viva de educação ambiental na Baixada Fluminense.

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