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Primeiro museu arqueológico do Rio de Janeiro abre em Nova Iguaçu com acervo de 800 mil anos de história

Localizado no Parque Histórico de Iguassú Velha, em Tinguá, o espaço reúne peças inéditas ligadas à ancestralidade africana, aos povos originários e ao papel estratégico da Baixada Fluminense no Império

Bruno Martins
·06 de maio de 2026·2 min de leitura
Primeiro museu arqueológico do Rio de Janeiro abre em Nova Iguaçu com acervo de 800 mil anos de história
Foto: Reprodução/TV Globo

O Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu abriu as portas ao público com entrada gratuita e se tornou o primeiro museu arqueológico do Estado do Rio de Janeiro. Localizado no Parque Histórico de Iguassú Velha, no distrito de Tinguá, o espaço estreou com a exposição "Raízes Ancestrais – A construção da nação brasileira", que reúne peças com mais de 800 mil anos de história ligadas à Baixada Fluminense e a diferentes regiões do país. As visitas ocorrem às sextas-feiras, sábados e domingos.

O acervo

O museu apresenta objetos relacionados à ancestralidade africana, às populações indígenas originárias e aos colonizadores europeus, além de achados arqueológicos da própria região — ferramentas, louças, moedas, vidros e ossos encontrados durante escavações no território.

Segundo o arqueólogo Diogo Borges, o visitante encontra materiais que eram consumidos pela sociedade local no século XIX, como louças francesas e inglesas, cerâmicas e garrafas. Mais de 200 mil fragmentos arqueológicos já foram identificados e passam por processos de higienização, catalogação e pesquisa.

"Muitas peças aqui são inéditas, tanto na Baixada quanto no Brasil", afirmou Gabriel Cardoso, coordenador do museu.

A Baixada no centro da história

O museu recupera um capítulo pouco conhecido da história regional. No século XIX, a antiga Vila de Iguassú foi ponto estratégico no escoamento da produção cafeeira do Império. A carga chegava do interior pela Estrada Real do Comércio, era organizada na vila e embarcada em um porto local. De lá, as embarcações seguiam pelo rio até a Baía de Guanabara.

Para o historiador Antônio Ferreira, responsável pela curadoria histórica do espaço, a proposta é apresentar essa trajetória de forma ampla. "Buscamos fazer um resgate multicultural e multiétnico. Reviver essa trajetória é fundamental para compreender a nossa formação", disse.

Diogo Borges reforça o argumento. "Começamos a perceber que este território é vivo de memória, não um espaço vazio, como muitas vezes a Baixada é retratada", afirmou o arqueólogo.

Visitantes

A abertura já mobiliza moradores da região. "Moramos tão perto e não sabíamos que existia um acervo tão grande", disse o caminhoneiro Ronaldo da Silva. A bancária Adriana Lira, moradora de Nova Iguaçu, resumiu a importância do espaço: "É muito gratificante ver como a cidade se formou e está representada aqui."

Serviço

📍 Parque Histórico de Iguassú Velha — Tinguá, Nova Iguaçu 🗓️ Visitas: sextas-feiras, sábados e domingos 💰 Entrada gratuita

Bruno Martins
Sobre o autor
Bruno Martins
Repórter

Jornalista com sete anos de experiência em redação. Editor e idealizador da TRAMA.

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