O Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu abriu as portas ao público com entrada gratuita e se tornou o primeiro museu arqueológico do Estado do Rio de Janeiro. Localizado no Parque Histórico de Iguassú Velha, no distrito de Tinguá, o espaço estreou com a exposição "Raízes Ancestrais – A construção da nação brasileira", que reúne peças com mais de 800 mil anos de história ligadas à Baixada Fluminense e a diferentes regiões do país. As visitas ocorrem às sextas-feiras, sábados e domingos.
O acervo
O museu apresenta objetos relacionados à ancestralidade africana, às populações indígenas originárias e aos colonizadores europeus, além de achados arqueológicos da própria região — ferramentas, louças, moedas, vidros e ossos encontrados durante escavações no território.
Segundo o arqueólogo Diogo Borges, o visitante encontra materiais que eram consumidos pela sociedade local no século XIX, como louças francesas e inglesas, cerâmicas e garrafas. Mais de 200 mil fragmentos arqueológicos já foram identificados e passam por processos de higienização, catalogação e pesquisa.
"Muitas peças aqui são inéditas, tanto na Baixada quanto no Brasil", afirmou Gabriel Cardoso, coordenador do museu.
A Baixada no centro da história
O museu recupera um capítulo pouco conhecido da história regional. No século XIX, a antiga Vila de Iguassú foi ponto estratégico no escoamento da produção cafeeira do Império. A carga chegava do interior pela Estrada Real do Comércio, era organizada na vila e embarcada em um porto local. De lá, as embarcações seguiam pelo rio até a Baía de Guanabara.
Para o historiador Antônio Ferreira, responsável pela curadoria histórica do espaço, a proposta é apresentar essa trajetória de forma ampla. "Buscamos fazer um resgate multicultural e multiétnico. Reviver essa trajetória é fundamental para compreender a nossa formação", disse.
Diogo Borges reforça o argumento. "Começamos a perceber que este território é vivo de memória, não um espaço vazio, como muitas vezes a Baixada é retratada", afirmou o arqueólogo.
Visitantes
A abertura já mobiliza moradores da região. "Moramos tão perto e não sabíamos que existia um acervo tão grande", disse o caminhoneiro Ronaldo da Silva. A bancária Adriana Lira, moradora de Nova Iguaçu, resumiu a importância do espaço: "É muito gratificante ver como a cidade se formou e está representada aqui."
Serviço
📍 Parque Histórico de Iguassú Velha — Tinguá, Nova Iguaçu 🗓️ Visitas: sextas-feiras, sábados e domingos 💰 Entrada gratuita




